segunda-feira, 30 de abril de 2012

Negociação


Fugindo de propostas indecorosas

O que fazer quando, numa negociação, o outro lado faz uma proposta muito longe do seu objetivo?

            É muito comum, em negociações, haver um descompasso entre o que um lado oferece (ou pede) e o que o outro está disposto a aceitar. Dependendo do tamanho desta diferença, há duas alternativas básicas a serem consideradas:

1ª alternativa
            Quando o desnível entre as expectativas é pequeno em relação ao valor total em jogo, as chances de um acordo são maiores, tendo em vista que o próprio fato de haver negociação demonstra o interesse de lado a lado.
            Suponha que você esteja vendendo um carro usado e aceitaria receber $20.000 por ele. Um amigo seu está interessado, mas, como não sabe o valor que você pede, está disposto a pagar até $24.000.
            Como percebemos, há uma área coincidente entre os valores pretendidos por cada um dos lados, usualmente chamada de Zona Positiva de Acordo ou, simplesmente, ZoPA. Qualquer acordo entre $20.000 e $24.000 será satisfatório para ambos.

Zona Positiva de Acordo


2ª alternativa

            Se o gap for muito grande, no entanto, corre-se o risco de um impasse. Os problemas começam quando esta área coincidente não existe e os valores pretendidos divergem. Suponha que você queira receber $24.000 pelo carro, mas seu amigo só esteja disposto a pagar até $20.000. Como se resolve esse gap de $4.000, da Zona Negativa de Acordo?



Zona Negativa de Acordo


            Uma solução muito comum é dividir a diferença. Vocês procuram um valor intermediário, ou mesmo a média, e nele fecham o acordo - neste caso, em $22.000.
            A tentação de dividir a diferença quase sempre é grande, mas há que se tomar cuidado ao fazer tal oferta, pois ela pode desequilibrar a situação e deixá-lo numa posição de inferioridade.
            O que está em jogo numa situação assim é uma Ilusão Cognitiva que costumamos chamar de ancoragem, ou seja, há um valor inicial, normalmente arbitrário, que está servindo de âncora para a negociação. Portanto, o valor oferecido pelo comprador.
            O fenômeno da ancoragem significa que toda a negociação posterior haverá de girar em torno deste valor âncora e o resultado, provavelmente, será desfavorável a você.
            Quem trabalha com compra e venda de veículos tem um conhecimento intuitivo deste viés e costuma aproveitar-se dele. O impacto inicial de receber uma oferta indecorosa assim costuma variar entre indignação e revolta.
            Mas é importante, antes de tudo, manter a calma. Explique que o valor proposto está muito distante de suas pretensões e que você não tem interesse em negociar nessas bases. Peça para que a outra parte apresente uma nova proposta - que servirá como uma nova âncora - e reinicie a conversa deste novo patamar, rejeitando qualquer menção ao valor antigo.
            Se não houver uma nova oferta, então é hora de retirar-se da negociação. Nada que sair de um acordo assim poderá ser-lhe favorável, pois criou-se um abismo intransponível. Não vale a pena insistir em algo que está muito aquém daquilo que você espera. Educadamente, fuja desta roubada!

Fontes:

ARAÚJO, Rodolfo. Negociação: fugindo de propostas indecorosas. Disponível em: http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/negociacao-fugindo-de-propostas-indecorosas/62540/.


ARAÚJO, Rodolfo. Dividindo a diferença. Disponível em http://www.pharmacoaching.com.br/2011/01/dividindo-a-diferenca.html.

Nenhum comentário:

Postar um comentário